Segue abaixo informações importantes sobre o tratamento das varizes dos membros inferiores através da escleroterapia. Sua leitura é muito importante.

 

Considerações iniciais sobre o procedimento e seus objetivos:

 

1. A escleroterapia consiste no tratamento das veias doentes através da injeção de soluções que promovem a esclerose do vaso. Esperamos com isso a melhora dos sintomas que possam ser atribuídos às varizes (dor, peso, queimação, inchaço, etc) além do benefício estético;

 

2. As soluções utilizadas podem ser líquidas, como a glicose e o Ethamolin, ou em formato de espuma, cujo medicamento mais eficiente é o Polidocanol;

 

3. Em relação a espuma, é produzida através da mistura da solução de Polidocanol com um pequeno volume de ar. Através desta técnica podemos tratar varizes maiores e outras veias doentes que não seriam eficientemente tratadas pela escleroterapia líquida convencional;

 

4. As grandes vantagens do tratamento da doença varicosa com espuma são as seguintes:

 

•       Não é necessária a internação hospitalar, ou seja, todo o procedimento é realizado no ambiente do consultório;

•       Pode ser realizada sob anestesia local sem bloqueios regionais ou sedação, dispensando equipe anestésica;

•       A sedação consciente com óxido nitroso pode ser utilizada para proporcionar conforto e bem-estar adicional ao procedimento;

•       É possível retomar as atividades habituais no mesmo dia não sendo exigido repouso absoluto. Ao contrário, recomenda-se caminhadas logo após o procedimento;

•       Muitos pacientes não precisam interromper suas atividades profissionais. Porém, cada caso deve ser avaliado individualmente;

•       É uma excelente opção para todos os graus de doença, incluindo os pacientes com insuficiência venosa avançada (presença de feridas, áreas de fibrose na pele, múltiplas abordagens cirúrgicas locais prévias, etc).

 

5. O tratamento por mim executado segue todas as orientações dos protocolos internacionais. Portanto, é bastante seguro e com baixíssima incidência de complicações. Porém, os principais riscos devem ser conhecidos pelos pacientes:

 

•       Possibilidade de pigmentação da pele (em torno de 20 a 30%). As “manchas” tendem a clarear espontaneamente ao longo do tempo. Alguns casos podem se beneficiar de estratégias de clareamento e/ou outras abordagens dermatológicas; 

•       Trombose venosa profunda (maioria dos casos assintomáticos e sem qualquer repercussão clínica);

•       Necessidade de uso rigoroso de compressão elástica sem interrupções durante 3 a 7 dias logo após o tratamento, cuja adesão não é simples para muitos pacientes;

•       Alguns pacientes evoluem com dor nos trajetos tratados e inchaço nas pernas. Na maioria dos casos, tais sintomas são autolimitados e não representam complicações, podendo ser controlados com analgésicos comuns e medidas posturais e comportamentais. 

 

 

Detalhes gerais sobre o procedimento de escleroterapia ecoguiada com espuma de Polidocanol:

 

A.      Orientamos a compra de kits especiais contendo material para enfaixamento autoadesivo, malhas antialérgicas, meias elásticas e dispositivos especiais para a compressão excêntrica, específicos para a utilização ao longo e pós o tratamento. Elementos absolutamente fundamentais para o sucesso da técnica;

 

Obs: os pacientes são orientados a adquirir os kits diretamente na clínica ou comprá-los em lojas de material médico.

 

B.      Oferecemos a sedação consciente para os pacientes que desejarem mais conforto e bem estar durante o procedimento;

 

C.      O paciente é posicionado em pé sobre um tablado e seu exame clínico e ultrassonográfico é realizado com marcação das veias a serem tratadas. Punções podem ser executadas nesta posição aproveitando a dilatação venosa;

 

D.      Deitamos o paciente de forma confortável;

 

E.      São puncionadas veias consideradas doentes com jelcos ou scalps, dependendo do calibre e profundidade das mesmas, sob visão direta ou com o auxílio do ultrassom. A anestesia local pode ser utilizada;

 

F.      O medicamento é preparado com o uso de duas seringas nas quais são produzidas espumas de polidocanol em concentrações específicas (0,25% a 3%) através de uma válvula de conexão 3-way;

 

G.      O membro inferior a ser tratado pode ser mantido em discreta elevação para redução do volume de sangue das veias e a espuma é injetada no(s) sítio(s) previamente puncionado(s). Durante a injeção o fluxo da espuma é observado pelo ultrassom visando garantir o tratamento específico das veias doentes. Em seguida, o membro pode ser massageado para permitir a difusão do esclerosante pelas varizes colaterais;

 

H.      É estimulada a movimentação ativa do pé com contrações caso seja identificado presença de espuma no sistema profundo;

 

I.       Retiram-se os acessos vasculares e são colocadas fitas microporadas nos sítios de punção;

 

J.       Realiza-se a terapia compressiva com dispositivos elásticos e/ou botas de unna (na presença de feridas crônicas);

 

K.      É realizada uma compressão excêntrica com materiais especiais sobre a(s) veia(s) tratada(s), por baixo da compressão elástica. Essa técnica representa uma ação fundamental para o sucesso no tratamento. Malhas antialérgicas também podem ser utilizadas em alguns casos selecionados;

 

L.       O paciente é liberado para andar e recebe as orientações necessárias. O meu contato pessoal é fornecido para o esclarecimento de qualquer dúvida;

 

M.     Recomenda-se caminhadas leves periódicas e, geralmente, a maioria das atividades habituais pode ser executada sem qualquer problema. Naturalmente, é fundamental ter bom senso e respeitar todas as orientações;

 

N.      A estratégia detalhada acima pode sofrer alterações pontuais sempre procurando respeitar os consensos científicos internacionais. 

 

 

Outras considerações:

 

Um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento é a compressão elástica. 

 

•       O motivo é simples de compreender: quando comprimimos a veia tratada, aproximamos as suas paredes permitindo uma melhor atuação do líquido esclerosante;

 

•       Ao contrário, quando não fazemos a compressão adequada, aumentamos os riscos de insucesso no tratamento com a reabertura da veia doente;

 

•       Sendo assim, é fundamental manter pelo menos três a sete dias de compressão elástica seguido pelo uso regular de meias sob orientação médica. Obviamente, os prazos e peculiaridades de cada caso são discutidas com o paciente;

 

•       A hiperpigmentação (“manchas escuras”) nos trajetos venosos tratados pode ocorrer em torno de 20% a 30% dos pacientes. Na maioria dos casos, a mancha desaparece ao longo do tempo espontaneamente.  

 

 

Algumas medidas específicas podem reduzir muito o risco de manchas:

 

•       Compressão elástica rigorosa especialmente nos 5 a 7 primeiros dias após o tratamento;

 

•       A compressão direta sobre a veia tratada é muito importante. Para isso, podem ser utilizados diversos materiais especiais por baixo da meia ou atadura elástica, exatamente no trajeto venoso que recebeu a aplicação de espuma;

 

•       Evitar ao máximo a exposição ao sol nos primeiros 2 meses após o tratamento, especialmente na presença de manchas locais nos trajetos venosos tratados. Quando a exposição for inevitável, aplicar protetores solares nos membros inferiores;

 

•       Alguns estudos científicos revelaram que remédios contendo diosmina e flavonóides podem reduzir o aparecimento e a intensidade das manchas na pele. Em casos selecionados, podem ser utilizados;

 

•       Pode-se adotar estratégias mais específicas de despigmentação em alguns casos.

 

Em relação a prevenção de trombose venosa profunda, ou seja, o comprometimento indesejado das veias profundas e saudáveis dos membros inferiores, algumas medidas são adotadas:

 

•       O volume máximo de 10 ml de espuma por sessão, utilização do ultrassom para monitorar a distribuição do esclerosante, terapia compressiva eficiente, entre outras medidas.

 

•       Os pacientes são orientados a andar precocemente, logo após o procedimento. Esta ação estimula o fluxo sanguíneo e evita a estase venosa nos membros inferiores;

 

•       Pacientes com maior risco de trombose recebem cuidados especiais que podem incluir doses de anticoagulante antes e após o procedimento (cada caso é avaliado e orientado de maneira específica). Em alguns casos, o método pode até ser desaconselhado;

 

•       Importante repetir que o procedimento é altamente seguro adotando estes cuidados.

 

Duração do tratamento, resultados e orientações finais:

 

1.      O tratamento completo de cada membro pode exigir mais de uma sessão de escleroterapia, dependendo da extensão e gravidade de cada caso. É comum tratar um membro por vez;

 

2.      Seguindo a rotina habitual, o paciente realiza o procedimento em um determinado dia e será revisto nas duas ou três semanas seguintes para novas aplicações, realizações de drenagens e acompanhamento ultrassonográfico;

 

3.      Posteriormente, revisões de manutenção são programadas em intervalos mais longos;

 

4.      É muito comum nos dias após o tratamento os trajetos venosos ficarem “doloridos” e “inflamados” gerando algum desconforto que pode requerer o uso de analgésicos convencionais (ex: dipirona 500 mg / paracetamol 750 mg). Importante lembrar que o objetivo do esclerosante é realmente danificar a veia doente. Portanto, tais sintomas representam uma consequência esperada não significando insucesso ou complicação do tratamento;

 

5.      Nódulos nos trajetos venosos também podem ser observados após o tratamento, especialmente nos pacientes com varizes prévias muito calibrosas. Eles podem gerar dor de baixa intensidade, geralmente ao toque. Da mesma forma que o desconforto nos trajetos varicosos tratados, a presença dos nódulos também não representa insucesso no tratamento;

 

6.      Pode ser necessário realizar sessões de drenagem de sclerus (material muito semelhante a um coágulo formado dentro das veias tratadas), geralmente de 7 a 30 dias após as aplicações de espuma. As principais vantagens da drenagem são: aliviar os sintomas locais e a inflamação, reduzir os nódulos e minimizar a probabilidade de manchas escuras;

 

7.      A grade maioria dos pacientes experimenta uma melhora importante na sua qualidade de vida após 1 a 2 meses da conclusão do tratamento;

 

8.      Assim que você for submetido ao tratamento, procure caminhar e retomar suas atividades diárias gradualmente até atingir sua rotina normal;

 

9.      Caso se sinta confortável, trabalhe normalmente e retome as suas atividades físicas habituais;

 

10.    Quando sentado, procure manter as pernas elevadas sempre que possível;

 

11.    Qualquer desconforto poderá ser aliviado por analgésicos simples. Dores desproporcionais devem ser comunicadas ao médico, assim como qualquer outro sintoma atípico;

 

12.    O meu protocolo de tratamento é extremamente seguro. Porém, complicações graves do procedimento já foram relatadas na literatura médica: alergia de pele ou generalizada, trombose venosa profunda de grandes vasos, embolia pulmonar, acidente vascular cerebral, infecção local, dor de cabeça, distúrbios visuais e formação de úlceras;

 

13.    Em caso de dúvida entre em contato comigo através do whatsapp 21998255646 ou 21986912966 – as respostas podem não ser imediatas haja vista minha extensa rotina cirúrgica e de procedimentos que não podem ser interrompidos;

 

14.    No site drjulioamorim.com é possível observar essas informações digitalizadas.

 

 

Tempo previsto para procedimento: em torno de 30 a 60 minutos

espuma.png

Observe no desenho esquemático o efeito da injeção de espuma de Polidocanol sobre uma veia doente, promovendo a sua esclerose.

ulcera venosa varizes 2.png

Observe uma caso de insuficiência venosa grave evoluindo com úlcera varicosa no trajeto de veias doentes na perna.

ulcera venosa varizes.png

Neste desenho esquemático, veja a relação do trajeto varicoso com a úlcera. Observe também a hiperpigmentação e o inchaço característicos da insuficiência venosa crônica.

acessos.png

Observe dois acessos muito comuns no tratamento da doença venosa com espuma: acesso à veia safena interna na coxa com jelco e acesso a uma veia varicosa na perna com scalp.

compressão_2.png

Imagem de uma compressa cirúrgica colocada sobre a veia safena na perna logo após um tratamento com espuma. Na sequencia, a compressão é realizada com uma bota de unna ou atadura elástica.

compressão_3.png

Veja o efeito da compressão excêntrica sobre a veia tratada. Repare o que acontece quando colocamos uma compressa ou algodão sobre ela por debaixo da meia elástica: "achatamos" a veia e permitimos uma melhor ação do medicamento. 

compressão_2.png

Imagem de um algodão cirúrgico colocado sobre a veia safena na perna após um tratamento com espuma. 

espuma.png

Observe no desenho esquemático o efeito da injeção de espuma de Polidocanol sobre uma veia doente, promovendo a sua esclerose.